Muitas pessoas ficam com o discurso saudosista, pregando que ontem era melhor, mais belo, menos corrupto, mais seguro. Isto, este modo de propagar o passado, em detrimento do presente, sempre precedeu, na História, os regimes de exceção.
E estes vão desde fascismo na Itália, a ditaduras militares no Brasil, golpe no Chile, nazismo na Alemanha. O método é único: desconstruir tudo e todos que ocupam o poder atualmente, acusar no adversário os próprios erros, apropriar-se das mídias, calar as opiniões em contrário e desqualificar toda e qualquer opinião que não signifique aceitação da solução conservadora.
CAMISAS PRETAS
E é um vale-tudo. Musssolini tinha seus camisas-pretas, Hitler tinha a SS, a ditadura brasileira usava e abusava do SNI. Mas todos estes aparatos jamais viram as próprias mazelas do poder, mesmo sabendo que havia generais se locupletando na corte de Hitler, violência sendo cometida pelo Estado contra os cidadãos italianos, mortes de jornalistas, professores, estudantes no Brasil dos anos 1970.
Todos aqueles que acreditam que é preciso ser arbitrário para ter autoridade usam o mesmo molde. Para eles, todos os que dizem que o juiz federal de Curitiba erra, que a Vênus Platinada manipula opiniões e que a maior revista do País mais de uma vez sepultou reputações apenas visando lucro recebem etiquetas: COMUNISTA, ALIENADO, VAI PRA CUBA, PETRALHA.
E é lógico que o método tem tudo para funcionar quando este caldo cultural, de ódio por quem está no poder, tem uma correspondência social, como nos casos da eleição de Fernando Collor a presidente, pelo ínfimo PRN em 1989, ou da execração do passado como na didática eleição de prefeito de Roberto Requião, em 1985, pelo PMDB. Sem que a sociedade diga "sim, é verdade", nada acontece.
DINHEIRO VAI EMBORA
O que vemos hoje é uma tentativa de instauração de um regime de exceção que une variáveis conservadoras de todos os lados: a crônica tradicional, a grande rede de TV que viveu às expensas da ditadura 1964-1985, o setor mais conservador do Judiciário, os partidos derrotados nas eleições de 2014 tentando varrer do mapa seus opositores(por decreto).
Se o golpe,seja via tribunais,seja militar, der certo, viveremos retrocessos importantes: a completa aniquilação da capacidade industrial do Brasil, a perda dos ativos restantes da nossa economia, a entrega do controle às multinacionais que irão apropriar o lucro na Bélgica, na Holanda, nos EUA, na França e na Alemanha e , sequer, terão razão pra ter plantas industriais aqui, pois o nosso empresariado- nada competitivo - prega que aqui é o pior dos mundos para investidores.
O golpe da República de Curitiba falhou até agora por não ter mais que o apoio dos parlamentares do Congresso Nacional ligados aos corruptores. Sim, num processo de corrupção quem paga para os corruptos é o sujeito ativo da ação. Os políticos, quase sempre, são passivos.
A cereja do bolo, dentro do reoteiro deste novelão, com direito a roteiristas profissionais bem pagos, seria a prisão do ex-presidente Lula da Silva(PT), com grande estardalhaço, perda dos dieitos políticos e da influência que ele tem na cena brasileira.
CADÊ OS INATACÁVEIS?
O problema é que, até pra dar um golpe é preciso ter moral, ética, decência, sendo inatacável. E as alternativas ao líder petista são mais sujas do que pareciam em seus tempos de privataria(FHC, LC Mendonça de Barros, Serjão, Serra), ou estão em confronto com a sociedade civil organizada(Richa, Alckmin, Perillo), tornando a solução política via eleições excepcionais em meio de mandato, completamente inviável.
Pela via do Congresso o golpe tem dificuldade de passar , depois que os milhões de Cunhas desapareceram, ao ter que admitir que o presidente da Câmara(Eduardo Cunha, PMDB), mostoru seu lado perverso, com direito a contas no Exterior, alimentadas por dinheiro recebido de corruptores.
O presidente do Senado, Renan Calheiros(PMDB), bastante silencioso, também já expôs suas mazelas, desde o caso com uma jornalista, há alguns anos e várias denúncias contra si, bem como várias citações na LavaJato.
O DESAGREGADOR
A outra solução do PMDB , Michel Temer, só agrada a quem quer ver a esposa dele primeira-dama, pois o vice-presidente da República é tido, até no próprio partido, como um grande desagregador. Foi assim que controlou o partido e minou candidatos a presidente da agremiação como Pedro Simon e Roberto Requião. De resto, é muito velho(75) até para um mandato-tampão.
Tentou-se a via judiciária. Mas a máscara de Joaquim Barbosa caiu ao descobrirem os negócios dele(ilegais para o presidente do Supremo Tribunal Federal) em Miami. E agora, mesmo com a enorme mídia em torno de Sérgio Moro, também não há perspectiva de que a via judiciária viabilize o golpe.
Aliás, ao ordenar a condução coercitiva do ex-presidente Lula da Silva, para atuar como simples testemunha em depoimento sobre José Carlos Bumlai, o juiz deu ao Brasil mostras de que se importa mais com as manchetes da manhã seguinte, do que com o devido processo legal, já que, no Brasil, este país, ex-presidentes tem prerrogativa de foro e são ouvidos e processados pelo Supremo Tribunal Federal.
MORO 2018
Resta agora,ao juiz Moro e a todos os envolvidos no processo, preparar as campanhas de outubro, a ficha de filiação partidária e esperar que toda a campanha contra Lula tenha surtido o efeito desejado. Por bem menos tempo de exposição, um ex-ministro da Saúde, chegava a 4% dos votos para vereador em Salvador, em 1992,sem nunca ter estado lá. Similarmente o ministro não tinha culpa formada, mas apanhava diariamente da Vênus. A exposição de Lula, possivelmente, vai garantir 10, ou 12 vezes 4%, só que não ficará restrita à capital baiana.
Sérgio Moro pode ser candidato em 2018? Quem sabe. Daqui até la´pode pavimentar a caminhada política com um punhado de processos contra Lula. Mas se Moro for o homem da vez no PSDB, já que o DEM vem sempre a reboque, inviabilizará Serra, Alckmin e Aécio, sendo que nenhum dos três parece inclinado a querer ser vice. Se quiser ganhar a eleição o juiz tem que descer do púlpito, tirar a toga, arregaçar as mangas e parar de escolher adversário. Ou, simplesmente, encerrar o espetáculo midiocrático da Lavajato e ler as páginas do inquérito que ainda não teve tempo.
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