segunda-feira, 16 de maio de 2011

A SAÍDA DA TRAUMATOLOGIA

Você entra num hospital, todo quebrado. Dores amarram seus movimentos. O diagnóstico é trauma. O grau muda caso a caso. Mas sabemos que algo o machucou gravamente.
Uma hora foi queda, na outra acidente. As vezes foi briga, tiro, desavença em família, briga de torcida, insatisfação expressa do jeito errado.
Alguem deu um soco num poste e quem sofreu foi a mão. Outro chutou o balde e machucou o pé. Velhinhos caíram em casa e jovens foram atropelados nas ruas.
Mas um dia, depois de certo tempo internados, se decreta que é hora de sair, ir pra casa, voando embora.
Na saída da traumatologia há um certo tique coletivo, o transtorno obsessivo compulsivo de olhar pra trás, com medo que a dor se repita, ou esperando um conselho de alguém, ou algum sorriso que anestesie a alma, já que o corpo com o tempo acostuma com novos limites.
Lá neste lugar estranho sentimos necessidade do outro. Quisera sentíssemos antes e, provavelmente, não teríamos nos machucado tanto, pois o outro, o amigo, a enfermeira, o irmão, o pai, a pessoa amada são realmente aqueles que regem nossos movimentos, que nos apoiam nos momentos de crise, de invalidez, seja do corpo, seja do espírito.
É preciso encontrar ao menos duas vezes a saída da traumatologia. A primeira para que possamos saber quem está conosco, neste momento precioso. A segunda pra vermos que o sol, a chuva, a grama, as nuvens,os pássaros continuam lá, movendo este ciclo perpétuo, que apelidamos de vida.
Se um dia você precisar da traumatologia faça o ciclo completo. E não esqueça de, ao sair, levar consigo seus sonhos, seus valores, sua fé.                          
                                                                 JOSILIANO DE MELLO MURBACH

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