LEMBRANÇAS DO COMÍCIO DAS DIRETAS, 12 DE JANEIRO DE 1984, CURITIBA...
Eu estava lá, bem na esquina . Fiquei na entre a primeira e a segunda janelas do Edifício Garcez, uns 5 metros da ponta do palanque. A maior parte do tempo estive junto com meu pai, André .
Tinha acabado de fazer vestibular pra Jornalismo na UFPR um dia antes .Cheguei as 17:15. O pai 17:30. Tava agoniado pra ouvir aquelas ...pessoas. Com pasta do cursinho pesando embaixo do braço. Queria voltar em casa antes do comício, meu pai não deixou. Olhou pra mim e disse ""Filho este momento é histórico, então o senhor trate de ficar aqui e aguentar firme. Vai valer a pena".
Aqui entre nós foi a primeira vez que me chamou de senhor. Este momento foi muito especial. Neste comício eu cantei, falei e gritei tanto que no final a voz não saía.
Dias atrás vi imagens de Narciso Assunção para a Band(um dos primeiros repórteres negros da TV brasileira) .
Francamente amei estas imagens. E ele entrevistou Franco Montoro, Ulysses e o José Richa, com aquele jeito franco e amistoso
E ver o grande Narciso Assunção, um dos primeiros repórteres negros da TV brasileira foi mágico .
O palanque era peso pesado. Tinha Franco Montoro, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Alvaro Dias, João Elísio, Osmar Santos, Rute Escobar.
A trilha era de primeira. As letras do Milton Nascimento (coração de estudante, bailes da vida) estavam na ponta da língua. O comício todo meu pai botou pilha: grita mais alto. Esse já tá fraco.(Cada um que ia ao palanque puxava o grito "nós queremos diretas...e o povo todo completava JÁAAAAA.). Era o esforço nosso pela democracia, dar voz pros anseios de quem estava e de quem não estava na "menor avenida do mundo" naquela tarde-noite. 38 metros de largura por uns 110 de comprimento- mas a plateia invadia Ébano Pereira, Oliveira Belo e seguia até a Dr. Muricy.Tudo em paz, de cara limpa. Com a devida coragem de lutar limpamente pela democracia.
Naquela noite não me senti só. Foi identidade pura. As cidades onde nasci, Marialva, onde me criei Pitanga,estavam presentes, meus amigos do grupo de jovens, colegas de Colégio, pessoas de quem eu era fã, grandes comunicadores externavam, a cada segundo o sentimento de todo um país. E sem ser excessivamente patriota"tudo começou aqui". Sem Curitiba(cidade teste) não seria possível São Paulo, nem qualquer outra mobilização. Quando a onda cresceu aqui, um lugar frio e conservador, ficou claro pro Brasil que não era uma questão partidária, mas uma causa nacional e que o povo unido não seria vencido nunca mais.
Eu estava lá, bem na esquina . Fiquei na entre a primeira e a segunda janelas do Edifício Garcez, uns 5 metros da ponta do palanque. A maior parte do tempo estive junto com meu pai, André .
Tinha acabado de fazer vestibular pra Jornalismo na UFPR um dia antes .Cheguei as 17:15. O pai 17:30. Tava agoniado pra ouvir aquelas ...pessoas. Com pasta do cursinho pesando embaixo do braço. Queria voltar em casa antes do comício, meu pai não deixou. Olhou pra mim e disse ""Filho este momento é histórico, então o senhor trate de ficar aqui e aguentar firme. Vai valer a pena".
Aqui entre nós foi a primeira vez que me chamou de senhor. Este momento foi muito especial. Neste comício eu cantei, falei e gritei tanto que no final a voz não saía.
Dias atrás vi imagens de Narciso Assunção para a Band(um dos primeiros repórteres negros da TV brasileira) .
Francamente amei estas imagens. E ele entrevistou Franco Montoro, Ulysses e o José Richa, com aquele jeito franco e amistoso
E ver o grande Narciso Assunção, um dos primeiros repórteres negros da TV brasileira foi mágico .
O palanque era peso pesado. Tinha Franco Montoro, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Alvaro Dias, João Elísio, Osmar Santos, Rute Escobar.
A trilha era de primeira. As letras do Milton Nascimento (coração de estudante, bailes da vida) estavam na ponta da língua. O comício todo meu pai botou pilha: grita mais alto. Esse já tá fraco.(Cada um que ia ao palanque puxava o grito "nós queremos diretas...e o povo todo completava JÁAAAAA.). Era o esforço nosso pela democracia, dar voz pros anseios de quem estava e de quem não estava na "menor avenida do mundo" naquela tarde-noite. 38 metros de largura por uns 110 de comprimento- mas a plateia invadia Ébano Pereira, Oliveira Belo e seguia até a Dr. Muricy.Tudo em paz, de cara limpa. Com a devida coragem de lutar limpamente pela democracia.
Naquela noite não me senti só. Foi identidade pura. As cidades onde nasci, Marialva, onde me criei Pitanga,estavam presentes, meus amigos do grupo de jovens, colegas de Colégio, pessoas de quem eu era fã, grandes comunicadores externavam, a cada segundo o sentimento de todo um país. E sem ser excessivamente patriota"tudo começou aqui". Sem Curitiba(cidade teste) não seria possível São Paulo, nem qualquer outra mobilização. Quando a onda cresceu aqui, um lugar frio e conservador, ficou claro pro Brasil que não era uma questão partidária, mas uma causa nacional e que o povo unido não seria vencido nunca mais.