quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

EXCESSOS

Publicado por Josiliano De Mello Murbach · 7 de janeiro Via Facebook
EXCESSOS
A atividade jornalística presume inteligência, moderação, respeito pelo alteridade, mas, acima e além de tudo, plena liberdade de expressão.
Pode-se discordar ou concordar do que a Imprensa diz, mas é importante que ela diga sempre, que expresse todos(eu disse todos) os sentimentos presentes em uma sociedade.
Não acho apropriado, em países plurais, que uma corrente se julgue no direito de... oprimir as minorias pela via midiática, mas também não creio que a melhor reação sejam fátuas e atentados.
A morte de 12 jornalistas do Charles Hebdo, jornal feito por cartunistas, na França, sinaliza uma série de coisas ruins: o desrespeito pela arte, pela opinião, a prevalência da violência e do medo, mas, por outro lado, a dificuldade que temos de respeitar limites culturais e políticos extremos.
Acho que temos sim, que falar de Maomé, dos muçulmanos, mas temos, antes de dessacralizar sua cultura, sua tradição e sua fé, conhecer profundamente os valores do Islã.
Os adeptos da teoria americana de que "é preciso quebrar o moral dos insurgentes, de todas as formas" devem achar que Charlie  Hebdo acertou sempre, os radicais islâmicos podem estar comemorando mais um atentado de sucesso. Nenhuma das partes restituirá a vida dos jornalistas mortos, nem seu talento, sua criatividade, sua combatividade.
Pessoalmente defendo a vida, a liberdade, a diplomacia como solução entre partes em conflito, mas creio que a França poderá ser, por ter uma enorme população muçulmana, o teatro de uma guerra surda entre os valores do Ocidente e do Oriente Médio.
No fim Deus é o mesmo(chamem-no de Deus, Javé, Alá) e como ama a humanidade está triste com mais esta loucura em seu nome. Vivi pra ver muitas coisas e ainda espero assistir uma distensão entre cristãos e muçulmanos.
Pode ser que não haja uma paz definitiva entre eles, mas é preciso, ao menos, que se respeitem as instituições que buscam um mundo melhor, como a Imprensa, a Cruz Vermelha, os Médicos sem Fronteiras e todas que se dedicam à arte.
Que a vida dos jornalistas do Charlie  Hebdo não tenha sido em vão e que sua morte possa nos inspirar ao diálogo e à construção de um novo tempo.
JOSILIANO DE MELLO MURBACH, jornalista

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