quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

ABSTRAÇÃO

Publicado por Josiliano De Mello Murbach · 12 de julho de 2014 via Facebook
ABSTRAÇÃO
Foi duro encontrar um processo mental pra tentar sublimar a dor da derrota de 7 a 1 pra alemã. Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor...e dane-se quem não gosta desta música.
Derrotas nunca me machucaram(corinthiano, maloqueiro, sofredor) , sou penta brasileiro, bi mundial, libertado em 4 de julho. E nada mais nacional que a República Popular do Corinthians.
Mas voltando ao... nosso objeto de pesar coletivo quero dizer que o resultado não foi 7 a 1. O jogo em si foi 3 a 1. O apagão de 5, 6 minutos, foi 4 a 0.
Não gosto de culpar pessoas, nem quero corroborar teorias de conspiração, mas pra mim pesou o fato de um atual e outro ex-jogador do Bayern estarem em campo contra 8 companheiros. Os defeitos ficaram evidentes bem rápido.
Isto explica, mas não justifica, diria o bom tenente Antônio Carlos de Paula Ribas, mas explicar é preciso.
Também podemos falar de inação do Felipão.
Se eu fosse o técnico o Paulinho tava em campo desde o início, ou teria entrado logo na saída de bola após o segundo gol. O famoso tempo pra respirar.
Mas o que passou, passou. Fomos derrotados como nação e pessoalmente. Só falta nossa derrota como continente,dando à Europa uma hegemonia nunca antes vista.
Poderia bater no peito, falar que tenho um monte de sangue alemão, mas sei que é meia verdade, pois grande parte da família veio de Áustria, Hungria, Suíça, Polônia, Rússia. Podiam falar alemão, mas dezenas de famílias dentro da ascendência eram judias do Leste Europeu.
Também não posso esconder que do outro lado sou português, francês, espanhol e que isto também conta.
Mas o que conta de verdade é que nasci no Brasil, de pais brasileiros, paranaenses, que sempre honraram a nossa bandeira, o nosso hino e que pregaram a liberdade, defenderam a democracia, confrontaram os poderosos. Eu falto português, eu penso em paranaense e adoro sotaque paulista,mineiro, goiano, pernambucano, cearense, baiano, gaúcho, caipira.
Por tudo isso, além do fato de ter dezenas de amigos latinos, opto pela Argentina. Acredito que, na ausência de Neymar esta é a copa de Messi. Depois dele é de Robben, de Navas, de James Rodriguez, de Valdívia, de Howard e nesta Copa(das Copas),as Américas (do Norte, Central e do Sul) souberam ser grandes.
A goleada alemã pode nos inspirar aquele sentimento de "já que perdemos, que seja para o campeão", mas o antes e o depois dos 4 gols em sequência mostram um jogo comum.
Como disse, o jogo foi 3 a 1. O Brasil poderia ter feito 3 ou 4, especialmente no início do segundo tempo. E o placar real poderia chegar a um 7 a 3 ou 8 a 5. Agora não importa.
O que importa é que, após abstrair as circunstâncias, embeiçar a derrota, gritar uns palavrões pras paredes, xingar juízes, protestar contra a CBF, a Fifa, voltemos a nós mesmos e continuemos a fazer o que fizemos melhor nesta Copa: cantar o hino à capela, abraçar outros brasileiros, receber muito mais estrangeiros, abrir o coração às nações amigas, fazer piada da derrota e celebrar novas vitórias, pois elas vem e serão belas.
Isto não quer dizer que eu queira a continuação da atual Seleção, Tirando Neymar, David, Paulinho, Bernard e Thiago os demais podem ser dispensados e só voltar quando forem jogadores com um sentimento de brasilidade que ainda não tem.
Bom, eu treinador abriria 18 vagas no selecionado e chamaria 13 caras que joguem no Brasil, pois ficou provada da falta de vínculo e patriotismo da maioria dos que jogam lá fora.
Claro que tudo o que digo tem prazo de validade, pois vencida uma Copa em 2018 todo técnico vira gênio e qualquer jogador se torna peça imprescindível, mas muito mais urgente que a autoestima deles é recuperar a fé do nosso povo na grande paixão nacional: o futebol-arte.

Nenhum comentário:

Postar um comentário